Ataque de pânico / ansiedade – Senti que ia MORRER!

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Ataque de pânico ansiedade Senti que ia MORRER

Este artigo será sobre o ataque de pânico / ansiedade. Muitas pessoas desvalorizam este grave problema de saúde porque nunca passaram por ele. Pensam que, por ser um problema a nível psicológico, não é muito grave, assim como não impede o dia-a-dia de uma pessoa.

Enganem-se! Eu sei o que é, pois passei por isso duas vezes. Para mim foi e ainda é a pior sensação do mundo e que não desejo a ninguém. Qual a sensação? Hm, basicamente senti que ia morrer. Não estou a exagerar.

O pior é que isto apareceu assim do nada. Não andava com nenhum problema pessoal. Estava completamente bem.

Neste artigo vou falar resumidamente sobre os meus dois casos de ataque de pânico / ansiedade. O primeiro foi em Setembro de 2010. O segundo foi em 2013.

Se não estão a par do que é um Ataque de pânico, têm aqui a explicação.

 

1º ataque de pânico / ansiedade – 2010

Num dia qualquer (não me recordo qual) de Setembro de 2010, acordei com grandes dificuldades respiratórias. Estranho é que, para além disso, não tinha qualquer dor. Era um dia em que tinha combinado ir jogar basket e futebol com amigos, em Águas Santas.

Só senti as dificuldades respiratórias como sintoma, mas estava preocupado. A partir da tarde, isto foi desaparecendo e lá fui à minha vida. Pratiquei desporto sem qualquer limitação, mas quando estava a ir embora de carro, as dificuldades respiratórias reapareceram.

Desde esse momento, não desapareceram. E para além disso, comecei a sentir formigueiro, suores e estava a tremer. Não consegui jantar em condições nem fazer mais nada. Tive que ir para o hospital de Santo António de urgência. Entrei lá por volta das 23h e só fui atendido por volta das 6:30 do outro dia.

No hospital foram as piores horas da minha vida. Estes sintomas todos não desapareceram. O meu cérebro estava tipo bloqueado e sentia-me desorientado. Não sabia como isto me tinha aparecido. Por um lado não queria morrer, mas por outro queria. Jogava no telemóvel e andava pelos corredores para tentar sentir-me melhor. Ajudou, mas muito pouco.

 

Medicação

Quando fui atendido, o médico, de origem africana, analisou-me. Era um médico muito simpático e animado, especialmente após me analisar. Disse-me que não tinha nada em termos respiratórios e que estava tudo bem. O que eu tive foi um ataque de pânico, também conhecido por ataque de ansiedade. Explicou-me o que era e depois eu percebi o porquê de ele me tentar animar e ajudar a relaxar. E no fundo até resultou, pois senti-me um pouco melhor.

Receitou-me um medicamento, no qual tinha que tomar 3 vezes ao dia. Chamava-se Valdispert, mas não me fez nada por ser muito leve. Para além disso, receitou-me um outro em casos de emergência / SOS. Chamava-se Victan e só o tomei uma vez. Aquilo fez efeito, mas é extremamente forte. Causou-me muita moleza e sono.

Meses depois fui redireccionado para a Psiquiatria do Hospital de São João e lá receitaram-me algo muito mais forte. O medicamento era o Cipralex. Tomei isso durante vários anos até ter alta e lá fui ao sitio.

Valdispert e Cipralex são medicamentos que demoram muito tempo a fazer o seu efeito. Em média demora-se anos a fazer este tratamento, e quando não é mais necessário, tem que se fazer um desmame de pelo menos 6 meses. Não me enganei nem exagerei quando escrevi que estive a tomar isto até 2013. 🙂

 

2º ataque de pânico / ansiedade – 2013

Cerca de 3 meses depois de largar a medicação de vez, voltei a ter o mesmo problema. Nesta vez, o ataque deu-se durante o fim da tarde. Lá tive que ir de novo para o hospital de urgência e lá tive que passar mais uma noite em sofrimento.

Os sintomas eram os mesmos. Suor, formigueiro, corpo a tremer, tonturas e o pior de todos, dificuldades respiratórias.

Quando fui atendido por uma médica, ela confirmou-me que tinha sido um ataque de pânico. As análises que me fez não apresentavam mais nada além disso. Desta vez, nem me receitou o Valdispert. Foi logo o Cipralex.

E depois disso foram mais anos a tomar aquilo. Estava tão mas tão farto, mas tinha que ser. A meio de 2017 parei de vez com a medicação e nunca mais tive estes problemas. Já pude continuar com a minha vida normal, sem qualquer limitação.

 

Resumindo…

Estes problemas de saúde são extremamente graves e devem ser respeitados. E quando se tem que tomar medicação para os curar, perde-se anos de vida. Sim, anos! Não são semanas ou meses.

Os efeitos secundários desta medicação prejudicam uma pessoa no dia-a-dia. Então em termos profissionais, mandam logo para o “estaleiro”. Os principais efeitos que a medicação me causou foram sonolência, perda de consciência e quebras na forma física.

Entre 2010 e 2017 foi como se estivesse quase morto para a vida, especialmente em termos profissionais. Não era o mesmo e não podia fazer nada contra. Apenas tive que ter muita paciência e esperar pela recuperação.

Para além disso, causou-me uma valente depressão. Senti-me despedaçado, sem conseguir encontrar forma de me reconstruir.

Não estive completamente inactivo, pois fiz algumas formações e trabalhei por conta própria em casa pela net. Apesar de estar bastante limitado fisicamente e psicologicamente, fui à luta. Nem todos conseguem fazer isto, atenção.

Se vocês conhecem pessoas com o mesmo tipo de problemas, acredito que se revêem nisto. É mesmo um dos problemas mais graves do mundo, assim como pode mesmo levar à morte.

 

Bom, olhando para cima, já reparei que escrevi muito. Se tiverem questões, escrevam na caixa de comentários abaixo. Responderei assim que possível. Obrigado pelo vosso tempo a ler este artigo. 🙂

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