Escola do Cerco do Porto – RECORDAÇÕES de 1997 a 2002

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Escola do Cerco do Porto RECORDAÇÕES de 1997 a 2002

Escola do Cerco do Porto e as minhas recordações entre 1997 e 2002.

Neste artigo irei recordar o que vi e vivi na “Escola de Baixo” (EB 2/3) do Cerco do Porto. Apenas me irei focar nas recordações mais marcantes. Para além disso, não me lembro de tudo, daí poder faltar alguma coisa.

 

Meu percurso na Escola do Cerco do Porto

Foi em 1997 que entrei na Escola Básica 2/3 do Cerco do Porto. Estive lá 5 anos, desde o 5º ao 9º ano, assim como nunca chumbei. Não fui para lá “sozinho”. Já conhecia vários colegas que andaram na mesma escola primária que eu.

Em todos os anos, a letra da minha turma foi sempre a mesma, o A. 5º A, 6º A, 7º A, 8º A e 9º A.

Tinha o apelido de ‘Cientista’, se bem que na altura não gostava muito do nome. Porquê este apelido? Talvez por usar óculos, não sei. Só sei que foi o ‘Marlboro’ que me deu o apelido. Então nos meus tempos da Secundária de Rio Tinto, deram-me o apelido de ‘Hooligan’, que menos sentido faz.

Não era um aluno de altas notas, nem dos melhores da turma, mas estudava bem. Apenas de três e quatro valores (raramente cinco valores). Era minimamente inteligente, por assim dizer. Nem pouco nem um génio.

Por vezes olho para esses tempos e penso que não devia de ter sido tão estudioso. Estudei tanto para quê? No fundo nunca me senti totalmente feliz e realizado por ser assim. Podia ter sido diferente e melhor. Aliás, acho que alguns colegas meus preferiam ver um Marcos algo diferente, para melhor, claro.

 

Recordações

Recordações na Escola do Cerco do Porto? Não tenho assim tantas, pois as memórias começam a desaparecer. Por vezes lembro-me de algumas mas depois desaparecem. Antes de escrever este artigo, fui escrevendo à parte sobre o que me vinha à cabeça, antes de desaparecer de novo.

Recentemente surgiu um grupo no Facebook com o nome ‘Os Trintões do Certo‘. O grupo é só para alunos entre os 30 e 39 anos e já tem actualmente mais de 1000 membros, andando bastante activo. Nesse grupo já foram postadas imensas recordações, permitindo-me relembrar de algumas aqui escritas.

Ora vou passar ás recordações, começando por pessoal minimamente conhecido na escola. Não me lembro de muitos.

 

Nomes / Apelidos

  • Pinto
  • Azeitona
  • Canta (Sérgio)
  • Camon (Paulo Machado – futebolista formado no FC Porto)
  • Pelé (Ricardo Ahmed)
  • Fajó
  • Nelo
  • Nanza
  • Breko
  • Cabeças
  • Krillin
  • Silvino
  • Faria
  • Marlboro
  • Macaco
  • Piu

Agora os eventos / momentos na escola, perto da escola e nas minhas turmas. Vou escrever aqui muita coisa, apesar de não me lembrar de tudo. À medida que me vou lembrando, vou escrevendo aqui.

 

Presidente Jorge Sampaio na Escola

Já não sei se foi na “época” 97/98 ou na 98/99. Seja como for, lembro-me da visita do antigo presidente da república, Jorge Sampaio, à Escola de Baixo. Para além dele, a RTP também esteve presente. Eu não fui filmado, mas colegas da minha turma foram filmados na cantina.

Nesse dia andavam muitos alunos atrás dele, enquanto circulava dentro da escola. Houve uma actuação musical de uma turma qualquer no polivalente da escola. Foi bem aplaudida por quem assistiu, incluindo o antigo presidente.

A música, se não estou em erro, era do famoso Whisky J&B (ouvir no vídeo abaixo).

 

RTP na Escola

A RTP não esteve apenas presente no dia em que Jorge Sampaio foi lá. Antes disso, fez uma reportagem que passou, pelo menos, no telejornal da tarde. Isto passou-se em 1997 e a reportagem era sobre o tráfico de droga dentro da escola.

Uma jornalista e um repórter de imagem andavam a circular pela escola, na parte da tarde. Eu e muitos colegas meus fomos filmados, assim como aparecemos na TV.

 

Polícia a caçar alunos agressores

No ano lectivo de 99/00, uma empregada foi agredida por dois alunos. Um deles agrediu-a com um vaso na cabeça, deixando-a em estado algo grave.

O director da escola, na altura meu professor de Geografia, chamou logo a polícia para apanhar esses dois alunos. Nesse dia a minha turma ia ter aula com ele, mas por causa desta situação, não tivemos.

Mal chegou a polícia, as portas da escola foram trancadas, para não deixar ninguém sair. Foi um autêntico “31” para os agentes policiais, acompanhados pelo director da escola, apanharem esses dois.

Demorou umas horas até finalmente os apanharem. Esses alunos sabiam que a polícia andava atrás deles, pelo que se escondiam. Penso que tiveram apoio de outros. Lembro-me de ver a polícia a metê-los dentro do carro de patrulha.

Nesse dia os porteiros não deixavam ninguém sair da escola, a não ser que tivessem os encarregados de educação em casa. Na saída andavam a perguntar a cada aluno se tinha os pais em casa. A parte engraçada é que muitos mentiram, e mesmo assim puderam sair.

Quando queria ir embora, lembro-me de ver centenas e centenas de alunos à espera de sair. Eu consegui sair, e sim, tinha gente em casa. Mas ainda assim esperei quase uma hora até poder sair.

 

Papelaria Arin

A papelaria Arin era o sitio onde nós comprávamos as guloseimas, gelados e revistas. Situava-se no fim da rua das escolas, na subida da mesma.

Papelaria Arin São Roque Porto

Não era o único sitio do género por perto. Também existia a Dona Paula. Mas a Arin era de longe o sitio mais frequentado, assim como melhor posicionado.

Comprava lá muita guloseima. Chiclets, Chupas, Fã’s (gelado de 30 escudos) e rebuçados. As chiclets eram entre 5 a 10 escudos, os chupas a 10 escudos (mistos a 20) e os rebuçados também eram 5 escudos. Ah, também me lembro de comprar gomas dos mais diversos feitios.

gomas guloseimas

Alguns colegas também compravam lá revistas e jornais desportivos. Das revistas mais conhecidas lembro-me da SuperPop, Bravo e BGamer. Dos jornais era o jornal OJogo.

Revista Super Pop

 

Futebol e FutVólei perto das salas

Naquela escola não se jogava futebol apenas no ginásio ou campo de jogos. Os espaços À entrada de cada sala também eram palco para isso.

Joguei muitas vezes futebol com bolas de ténis, em que as balizas eram os espaços por baixo dos bancos de pedra. Alguns alunos jogavam também FutVólei mas com bolas de futebol, em que os muros a separar as salas faziam de rede.

Ainda com bolas de futebol, também já joguei aos pontapés de canto, numa zona perto do módulo D. A baliza era uma parte do muro com desenhos. Um ia á baliza, outro batia os cantos e os restantes tinham que marcar golo. A bola não podia ir ao chão mais de 3 vezes.

Os seguranças não gostavam nada que os alunos jogassem com bolas de futebol. Apenas permitiam as de ténis. Isto porque quase todas as semanas existiam casos de vidros partidos. Depois lá tinha que ir o Sr Martins colocar vidros novos.

 

Andar nos telhados dos módulos

Ainda sobre o futebol, por vezes as bolas iam para os telhados dos módulos. Mas naquela escola existia o “desenmerda-te”.

E em que consistia? Alguém subia até aos telhados para ir buscar as bolas. Alguns até andavam nos telhados por divertimento, á procura de algo valioso ou bolas perdidas por outros.

Não era fácil de ir lá para cima, pois era uns bons metros de altura. Não me lembro de alguém ter caído do telhado e lambido o chão.

 

Néné (Sr Jorge) e as provocações

O funcionário Sr Jorge, conhecido como Néné, costumava estar muitas vezes no ginásio. Era uma pessoa porreira, mas provocado por alunos que gozavam com ele e lhe chamavam de Néné.

Houve um ano (penso que em 2001) que alguém da minha turma decidiu inventar códigos de entrada para os balneários. Penso que foi o Azeitona, mas não tenho a certeza, assim como só aconteceu no balneário dos rapazes.

Os códigos eram frases usadas para quem chegava tarde. E claro, tinha que ser alguém da turma. Em cada período existia um código. Como cada ano lectivo tem 3 períodos, eram 3 códigos.

E quais eram os códigos? Pois esta é a parte “gira”. Todos os códigos eram a gozar com o Néné. Por acaso nunca os disse, pois chegava sempre a horas para me equipar.

Lembro-me de dois deles:

  • É Natal é Natal, e o Néné cheira mal.
  • É fim de ano é fim de ano, e o Néné fuma um charuto cubano.

Quando ele estava por perto, ninguém dizia o código. Mas pelo menos uma vez ele ouviu e não gostou nada. Imaginem o filme.

 

Balneários da escola

Falando nos balneários da escola do Cerco do Porto, lembro-me de algumas cenas engraçadas (ou não). Eram 4 balneários, sendo que dois deles não estavam bem divididos pela parede que os separava. Na parte de cima não existia parede a dividir.

Esses balneários eram o 3 e o 4, e lá passaram-se cenas não muito bonitas. Quando cada turma ocupava esses dois balneários, alguns gostavam de atirar cuspidelas como quem joga badminton. Sem ser as cuspidelas, por vezes eram mochilas a voar de balneário para balneário.

O balneário 1 tinha uma porta azul, para além da porta de entrada do mesmo. Esse portão nunca abria, mas pelo buraco da fechadura dava para espreitar. Lembro-me de estar nesse balneário e uma taradona qualquer ter espreitado enquanto eu e os meus colegas trocavam de roupa.

Recordo-me de um dos meus colegas meter o pénis de fora e pedir à moça para espreitar. Não me lembro se chegou a fazer isso.

Do lado das raparigas, também havia um balneário como o 1 dos rapazes. A diferença é que não se via nada pelo buraco da fechadura. Lembro-me de ver dois rapazes a tentarem furar o buraco, para poderem espreitar, mas nunca conseguiram.

Bem, não devia de dizer isto, mas não resisti. Uma vez vi as raparigas da minha turma a trocarem de roupa no balneário. Foi acidental, mas depois não consegui desviar o olhar. Acho que foi no 5º ano que isto aconteceu.

Mas hey, a culpa não foi minha. Elas é que não tinham fechado a porta. Não vi nada de mais. Ok, uma estava só de soutien e boxers, mas não mais do que isso. E qual o stress? Na praia também não estão de bikini?

 

Hitler, a prof de ciências

Na escola do Cerco do Porto também existiam profs com má reputação.

No 7º ano tive uma prof de ciências conhecida como Hitler. Tinha esse apelido porque era demasiado exigente e metia muitos alunos mal comportados na rua. Causava medo a alguns e ódio a outros. Ainda me lembro bem do nome completo dela. Chama-se Eugénia Sampaio Faria.

Na minha turma, com mais de 20 alunos, tinha dias em que mais de metade da turma ia para a rua, ficando menos de 10 lá dentro.

Nunca cheguei a ser expulso, pois era bem comportado. Se fosse agora, de certeza que tinha ido algumas vezes para a rua. Podia ainda virar-me a ela, caso me sentisse injustiçado.

Alguns mereceram sempre a ida para a rua, mas noutros casos, ela agia muito mal. Lembro-me de ter dito a uma colega minha para não tossir, para não pegar a SIDA.

Um dia alguns colegas meus infestaram a sala com peidinhos engarrafados. Era um dia de teste e o objectivo era ser adiado. Mesmo com um cheiro bastante insuportável, lá tivemos que fazer o teste. Sim, na mesma sala, não fomos para outra.

Num outro dia, antes de entrarmos para a sala, vários dos meus colegas conseguiram que ela não desse uma aula. Mal a viram a entrar para o módulo, começaram a bater nos vidros, provocando um forte barulho. Com isso, a prof não nos abriu a porta e foi-se embora. Ficamos todos contentes, mas depois tivemos que levar com o director da escola, pois ela tinha feito queixa.

Mas não foi o único dia que conseguimos tal coisa. Noutras aulas, alguns expulsos por ela recusavam-se a sair da sala. Ela ameaçava ir embora caso algum não saísse. Se a recusa se mantivesse, a prof ia embora e a aula acabava ali. Mas estas situações não duraram muito. Depois ela começou a chamar empregadas para obrigar esses alunos a abandonarem a sala.

Nunca tirei negativa com ela, nunca fui expulso, mas mesmo assim não gostava nada da forma como ela dava as aulas.

 

 

[Artigo em construção – 13/11/2019]

 

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