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Praxe do ISCAP – o que acontece LÁ DENTRO e cá fora

Praxe do Iscap, o Instituto Politécnico de Contabilidade e Administração do Porto.

Neste artigo irei contar um pouco sobre o que vi e vivi dentro da praxe do Iscap. O artigo centra-se maioritariamente no meu ano de caloiro. Não irei falar de todos os eventos e pormenores, apenas o mais marcante e que ainda me lembro.

A praxe do Iscap para os caloiros não é totalmente igual de ano para ano. Posso dizer que, actualmente, está mais “soft”, e ainda bem. Não sou daqueles que quer que os outros sofram só porque também sofri.

Atenção!

Este artigo contém “spoilers” dos grandes. Se vais iniciar a praxe do Iscap e não queres saber mais ou menos pelo que vais passar, então não continues a ler.

Agradeço na mesma a tua visita e dá uma olhadela a outros artigos deste blog. 🙂

 

 

Praxe do Iscap – Primeiros dias da recepção ao caloiro

Entrei para o Iscap em 2008 e decidi frequentar a praxe. Sobre o que se ia passar lá dentro, não ia ser novidade para mim. Um amigo meu contou-me basicamente tudo pelo que iria passar durante o ano de caloiro. E ainda bem, pois eu gosto de spoilers.

No primeiro dia fui a uma suposta reunião de apresentação aos novos estudantes do Iscap, ás 8:20. Éramos centenas de alunos dentro de um auditório. Falaram os responsáveis de cada licenciatura, assim como duas estudantes trajadas. Nesse momento ninguém sabia que eram da Comissão de Praxe, mas eu já tinha as minhas “suspeitas”.

No final da reunião fomos todos para outro auditório, a chamada Sala 2. Lá dentro, o pessoal da comissão de praxe estava todo à nossa volta. E foi aí que, assim do nada, o ambiente de descontracção se transformou numa espécie de inferno. Ou seja, o início da praxe e da recepção ao caloiro. Ah, ainda não éramos caloiros, mas sim, bestas. Só depois da Latada é que passamos a caloiros.

Depois de duas mocadas do Moca em cima da mesa, a praxe começou. Era um clima de medo, com berros e frases como: “olhar para o chão!”, “pouco zurro”, entre outras. O objectivo deles era respeitarmos os “doutores” da comissão de praxe e aprendermos tudo sobre a praxe do iscap, como as suas músicas, a cumprimentar os doutores, sermos unidos, assim como as respectivas regras.

 

 

Caloiros a sentirem-se mal

Passamos muito tempo de joelhos e alguns caloiros sentiram-se mal lá dentro. Os sintomas passavam pela falta de ar, tensões baixas, fraquezas e imensas dores nos joelhos. Mas foram todos devidamente ajudados e levados para outra sala (uma espécie de enfermaria). Apesar do ambiente em praxe, nenhum “doutor” queria que estivéssemos em sofrimento.

No meu caso, senti-me mal no primeiro dia, com alguma falta de ar. Fui levado para essa sala, ajudaram-me e lá recuperei, voltando depois para a sessão de praxe. Mas a partir do 3º dia, o meu joelho direito não foi o mesmo. No 3º dia voltei a sair, pois não estava a conseguir andar em condições. Estava com tremendas dores no joelho direito, na qual levaram-me depois para casa, pois não dava mais para mim. Ainda hoje sinto pequenas dores quando faço esforços um pouco mais pesados, principalmente no ginásio. É uma marca de praxe que duvido muito que desapareça de vez.

 

 

Praxe do Iscap – Leilão do Caloiro

Este clima de medo em praxe, que para muitos parecia um pesadelo real, continuou nas duas primeiras semanas. Houve um dia (numa sexta-feira) que decorreu o Leilão do Caloiro, na Sé do Porto. Nós, caloiros, fomos leiloados, com o objectivo de ficarmos com um grupo de doutores.

Nesse dia passamos a ficar divididos em vários grupos de caloiros, mas quando não tínhamos sessões de praxe com a comissão de praxe. Cada grupo tinha um grupo de doutores.
Lembro-me que nesse dia, antes de ficar num grupo definitivo, fui escolhido por outros grupos de doutores. Um deles era um grupo que só queria os caloiros/as mais bonitos. Fiquei desconfiado porque eu de bonito não tenho nada, mas ok.

O grupo em que fiquei em definitivo era um grupo porreiro. Posso dizer que tive sorte nesse aspecto. Melhor do que este grupo acho que era muito complicado de encontrar.
Normalmente, os grupos de doutores são mais tranquilos do que os doutores da comissão de praxe. Mas claro que o código de praxe mantém-se.

Tivemos actividades engraçadas no meu grupo, que aconteciam na maioria fora do Iscap. Umas mais infantis, outras nem tanto. Cantámos muito pelas ruas do Porto, assim como passamos bons momentos.

 

 

Primeiro jantar praxistico

No último dia das duas semanas de recepção ao caloiro do Iscap, tivemos o primeiro jantar praxístico (ou académico). Consiste num jantar de caloiros, assim como dos membros da comissão de praxe, desde semi-putos até ao Dux.

Lembro-me que quando tínhamos ido buscar o jantar á cantina do Iscap, ainda esperámos bastante tempo. A comida já estava completamente fria, mas lá teve que ser. As bebidas eram água e vinho. Para quem nunca tinha bebido álcool (casos raros), teve aqui uma grande oportunidade para experimentar.

Apesar de não estar muito habituado, bebi uns 3 / 4 copos de vinho. Ao quarto copo parei, pois estava a ficar tonto. Não tenho problemas com o álcool, pois sei quando atinjo o limite.

Alguns colegas meus ficaram bastante alegres e já um pouco fora deles. Lembro-me que, depois do jantar, dois caloiros meios bêbados foram expulsos pelo Dux por não se calarem quando era para estar em silêncio. E na minha opinião fez ele muito bem. Tivessem mais cuidado com os copos.

Depois do jantar fomos todos para a discoteca Vogue, na zona industrial do Porto. Entrámos lá por volta da 1:00 da madrugada e saímos depois ás 6:00. Alguns saíram bem antes, mas eu lá fiquei até ás 6:00.

Ao inicio lá me diverti, mas depois comecei a ficar aborrecido. Lembro-me de ver alguns caloiros a “comerem-se”, um sujeito qualquer já andava de boxers, alguns iam vomitar para a casa de banho e um estava a fazer uma espécie de dança do acasalamento a uma caloira.

No dia de praxe seguinte, levamos todos na cabeça da comissão de praxe, por causa das parvoíces que alguns fizeram. Sim, por uns pagavam sempre todos. Faz parte da praxe, pois é para criar uma união, solidariedade e amizade entre os caloiros.

 

 

Latada, Juramento e Baptismo

O dia da latada é o dia em que quase todas as “casas” saem à rua. Quase, porque por exemplo a FEP não participou no evento praxistico. As casas fazem um cortejo, onde os caloiros estão cobertos de latas.

Semanas antes, a comissão de praxe disse-nos que precisávamos de pelo menos 100 latas. Parece pouco, mas é muita fruta. Ah, se és caloiro e estás a ler isto e se estás perto do dia da latada, começa a guardar as latas. Se não fizeres isso, vai ser mais difícil.

Recordo-me de andar de café em café a perguntar aos donos se tinham latas vazias. Alguns já estavam preparados, tendo as latas separadas para depois oferecer a quem as pedisse. Mas a procura era tanta que maioria não tinha latas para dar.

Ainda assim consegui reunir pelo menos 100 latas, mas ofereci algumas a uma colega minha. Tive que as furar e usar cordas para andar com elas à volta do meu corpo.

No dia da latada acabei por perder várias latas. Foi um bocado cansativo mas gostei da actividade. Os funcionários da Câmara do Porto tiveram muito trabalho, pois as ruas estavam cobertas de latas.

 

Após a latada, foi o momento do juramento, em frente á Câmara Municipal do Porto. Tivemos que estar de quatro a ouvir o Dux Veteranorum (?), se bem que não consegui ouvir quase nada. Apenas me lembro de dizer várias vezes “Juro”.

 

Por fim, foi o momento do Baptismo. Nós, caloiros, fomos baptizados na água suja dos leões. Foi nesse momento que passamos oficialmente de bestas para caloiros. No artigo tenho falado sempre da palavra “caloiro”, mas na praxe do Iscap, só se passa de besta para caloiro quando for baptizado. Até lá, é sempre besta.

 

 

Julgamento – Antes

O Julgamento na praxe do Iscap acontece em Abril. Costuma ser um dia cansativo e, por parte da comissão de praxe, bem agressivo. Bem, pelo menos no meu tempo foi.

Nesse dia após o almoço, ficamos na Sala 2 (auditório das sessões de praxe) a tarde inteira sempre de joelhos. E tivemos que repetir a frase “nós os caloiros vamos morrer” a tarde inteira. Foram horas e horas de seca e sofrimento físico. Ás vezes a comissão de praxe mandava-nos sentar para descansar os joelhos durante uns 5 / 10 minutos.

Lembro-me de ficar com umas valentes dores nos joelhos, especialmente no direito, onde me tinha magoado nos primeiros dias de praxe.

Abaixo uns segundos de como é o que descrevi acima.

 

 

Julgamento – Início

Já era noite e o Moca, com a capa a cobrir a cara, deu-nos ordem para irmos para o parque subterrâneo do Iscap. Tivemos que ir para lá a gatinhar e a distância ainda era significativa.

Quando entramos no parque, todos os doutores, também com as capas a cobrir a cara, repetiam a frase “vós os caloiros ides morrer”.

Lá dentro começou o julgamento. Tivemos que estar sempre de quatro. Alguns caloiros foram julgados por “asneiras” que cometeram durante a praxe. Não houve qualquer agressão física, não se preocupem. Os “castigos” eram tranquilos.

Não consigo recordar-me bem do que se passou, pois senti-me mal. Não estava a conseguir respirar bem e tive que me sentar no chão. O oxigénio não me circulava bem, porque perto do chão estava um ar quente e difícil de se respirar. Ao estar sentado, a minha cabeça estava a um nível superior ao pessoal que estava de quatro, logo conseguia respirar melhor. Não estava ao nível daquele ar quente, mas sim, ao nível do ar fresco que circulava lá dentro.

No fim do julgamento, tivemos que tirar a sapatilha direita e entregar a alguém da comissão de praxe. Depois quando fomos buscar, estavam com manchas de ovos (?) por fora. Fazia parte do castigo global do julgamento.

Não houve nenhum abuso nem violência lá dentro. Aliás, na praxe do Iscap não existem problemas dignos de serem notícia nas TV’s e jornais.

Disseram-me que houve um pequeno problema no Julgamento, pois rasgaram a capa do Colher de Pau. Uma afilhada dele confirmou esse acontecimento ao falar comigo, mas que ficou resolvido. Como não vi, não me vou alongar sobre isso.

 

 

Primeiro dia do caloiro trajado

Este dia é quando o caloiro se traja pela primeira vez. Aí os caloiros ficam a saber o quanto custa andar trajado. É preciso estar bem trajado, a capa pesa um bocado no ombro e os sapatos magoam imenso. Custa, não custa?

No meu caso senti-me estranho quando trajei pela primeira vez. Pior ainda, sangrei num dos calcanhares por causa do raio dos sapatos. Mas não fui o único com esse problema.

Nesse dia, fui trajado para uma sessão de praxe, na esplanada. E para estrear o traje da “melhor” maneira, tivemos que rebolar um pouco no chão para sujarmos a roupa. Faz parte da tradição da praxe do Iscap.

Mas foi um dia tranquilo. Depois ainda jantamos todos na faculdade, com divertimento nas músicas do Iscap.

Por fim fomos para a Noite Negra, no Porto. É um evento secante, onde todas os trajados das faculdades se concentram e ouvem músicas e tal. Lembro-me de me livrar de ficar com o traje sujo de vómito. Quando estava a ir para a noite negra, uma doutora de outra faculdade vomitou perto de mim. Por sorte (e com instinto), desviei-me a tempo.

 

 

Azia de alguns “doutores” do Iscap

Ainda sobre a noite negra, alguns doutores da praxe do Iscap tiveram momentos de azia. Isto porque alguns estudantes do Iscap e que não pertencem á praxe também foram trajados.

Cheguei a ver um desses momentos, e deu-me um gozo dos grandes. Adorei ver a azia de uma doutora após olhar para uma colega minha trajada e que não era da praxe. Ainda por cima, era uma doutora que não gostava muito, pois tinha a p*ta da mania.

Caso (ainda) não saibam, o traje é um elemento académico, não apenas praxístico. Ou seja, qualquer pessoa universitária pode trajar, mesmo não pertencendo á praxe. Não pode é participar nos eventos de praxe, mas pode participar nos eventos académicos.

É algo que ainda causa confusão a algum pessoal, não só do Iscap, mas de todas as faculdades. Não devia fazer, mas pronto, são aziados, que se pode fazer?

 

 

Cortejo Académico

Cortejo Académico, mais um evento académico (não praxístico). É o evento mais aguardado do ano e que é presenciado por milhares de pessoas.

No meu ano, o kit do cortejo foi algo que não gostei muito. Nem sei ainda o que raio era aquilo. Usei um chapéu tipo à Joker, umas meias muito compridas, calções curtos, t-shirt, uma chupeta gigante e a cara pintada à palhaço (ou lá o que era).

O carro estava bom, pois era um castelo enfeitado com flores azuis e vermelhas à sua volta. Foi um carro feito pelos caloiros, com a ajuda de vários doutores. A comissão de praxe orientava tudo, claro.

Foi um dia bem passado, assim como é um dia muito importante para os caloiros. É nesse dia que deixamos de ser caloiros e passamos a ser Semi-Putos, ou melhor, doutores.

A concentração foi no Iscap antigo, no Porto. Ás 14:00 fomos para a fila do cortejo, atrás do ISEP e á frente da ESE. Estava muito calor e foi circulada muita água entre os caloiros.

A tarde foi longa, mas animada. Houve uma bola gigante a circular no ar de vez enquando entre todos nós. À noite, quando passamos a tribuna, nós caloiros cantamos com toda a força e foi aí que deixamos de ser caloiros.

 

 

Problemas no Cortejo

O cortejo é para todos os estudantes. Porém, algumas faculdades gostam de dividir os alunos da praxe dos que não são da praxe, o que não é correcto. Para além disso, ainda não deixam esses estudantes que não são da praxe passar na tribuna.

Um caso bem conhecido é a ESE, que ainda hoje não aprenderam a verdadeira definição do cortejo académico. Lembro-me de ler essa polémica no Jornal de Notícias, em que alguns finalistas da ESE denunciaram isso.

Algum pessoal do ISEP também gosta de fazer das suas. Quando têm oportunidade, tentam roubar coisas das outras faculdades. Disseram-me ainda que eles têm uma sala na faculdade cheia de coisas roubadas das outras faculdades.

Sobre o ISEP, em 2006, foi noticiado que incendiaram o carro do ISCAP antes de passar a tribuna. O mais ridículo é que os bombeiros disseram que foi curto circuito, quando viram um aluno do ISEP a atirar algo para o carro do ISCAP e que provocou o incêndio.

 

 

Praxe do ISCAP – Sim ou não?

Do que (ainda) me lembro, foi isto que vi e vivi. Não é igual todos os anos, mas a sequência é sempre a mesma. Mediante as coisas boas e más, deve um novo aluno frequentar a praxe do ISCAP? Sim ou Não?

Pode ter algumas coisas negativas, mas actualmente está um pouco mais soft. Por isso a minha resposta é Sim. Experimenta.

Se vais começar o ano, dá uma tentativa à praxe. Se gostares, então leva-a até ao fim, aprende algo útil, faz amigos e diverte-te. Detestaste a praxe? Também não tem problema. Não serás rebaixado nem nada do género. Podes na mesma aprender muitas coisas úteis, fazer amigos e divertir-te.

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